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09 março, 2026

Kid Vinil: o herói que fez do rock um manifesto

 Antônio Carlos Senefonte, eternizado como Kid Vinil, foi mais do que um músico: foi um fenômeno que revolucionou o rock brasileiro nos anos 80. Com visual vibrante — camisas cítricas, calças quadriculadas, óculos pequenos e o famoso cavanhaque ruivo —, ele surgiu como porta-voz do punk e new wave direto das rádios alternativas de São Paulo.

Da estreia underground ao prog clássico

Na virada dos anos 70, Kid Vinil mergulhou no universo punk após contato direto com o que surgia em Londres. De volta ao Brasil, formou a banda Verminose, que, anos depois, virou Magazine — projeto que definiu o rock nacional da época 

Com Magazine, não faltaram hits: “Tic Tic Nervoso” e “Sou Boy” se tornaram hinos de uma geração. “Sou Boy”, inclusive, foi até trilha de novela — fruto de uma parceria inusitada entre um office-boy e uma banda que mudou o cenário musical do Brasil.

Voz, palco e gravadora

Popular no rádio, TV e nas pick-ups como DJ, Kid Vinil se destacou como apresentador do “Som Pop” (TV Cultura) e como VJ do “Lado B” na MTV, levando o underground para o grande público. Paralelamente, foi produtor e executivo na gravadora Trama, ajudando a lançar vozes como Helena Meirelles e Tom Zé — este último ganhando espaço no Brasil e sendo eleito um dos 10 melhores álbuns do ano pelo New York Times.

Kid Vinil no programa do jô

Sem rótulos, mas com atitude

Após o auge com Magazine, Kid mergulhou em projetos solo e na banda “Kid Vinil & Os Heróis do Brasil” (1986), explorando blues com participações de Rita Lee e André Christovam. Nos anos 2000, renasceu com o Kid Vinil Xperience, lançou o livro Almanaque do Rock (2008) e manteve o pulso ativo como DJ e comentarista em rádio web.

O legado de um “professor”

Conhecido por sua vastidão musical — apelidado de “Jedi” por João Gordo —, Kid foi o mentor que apresentou o Brasil a bandas como The Smiths, Pixies, REM e Ira!. Sempre humilde, nunca perdeu a brasilidade em meio ao estilo internacional.

Até o fim, ativo

Mesmo aos 60+, ele ainda comandava programa na Rádio 89 FM e despontava na cena independente. Em 2017, passou mal durante uma apresentação em Minas e, após um mês internado, faleceu em 19 de maio, aos 62 anos. O golden retriever Cosmos, companheiro de décadas, ficou ao lado do caixão, simbolizando a fidelidade do artista ao que amava.

Por que contar essa história na rádio?

Porque Kid Vinil não foi só um artista: foi o cara que uniu movimento punk, new wave, rádio, TV e gravadora. Deu voz para o que era de nicho e ensinou o Brasil a amar o som alternativo. Sua trajetória é um ode à paixão musical — e é isso que a gente quer transmitir no ar.

Esse post entra no ar com trilha de “Tic Tic Nervoso” e “Sou Boy” nos alto-falantes da rádio — um passeio por trilhas que marcaram gerações e continuam pulsando no presente.

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